Lei Seca completa 18 anos, e número de motoristas alcoolizados flagrados no RJ mais que dobra após pandemia
19/06/2026
(Foto: Reprodução) Lei Seca completa 18 anos, e número de motoristas alcoolizados flagrados no RJ mais que dobra após pandemia
A Lei Seca completou 18 anos nesta quarta-feira (17). No Rio de Janeiro, a operação de fiscalização criada em 2009, um ano após a entrada em vigor da legislação federal, acumula 17 anos de atuação e tem contribuído para a redução do número de mortes e feridos em acidentes de trânsito desde o início das blitzes.
Ao mesmo tempo, os dados mais recentes apontam um sinal de alerta: o percentual de motoristas flagrados dirigindo após consumir bebida alcoólica mais que dobrou no período pós-pandemia.
Os números mostram uma mudança no comportamento dos condutores após a pandemia de Covid. Entre 2014 e 2019, a alcoolemia foi identificada em 4,97% das 1,9 milhão de abordagens realizadas pela fiscalização. Já entre 2022 e abril de 2026, o índice subiu para 10,10% em 1,3 milhão de fiscalizações.
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Desde o início da fiscalização no Rio, em 2009, quase 5 milhões de motoristas foram abordados em mais de 42,6 mil operações.
Ao todo, mais de 4,5 milhões de testes de etilômetro foram realizados e mais de 360 mil ocorrências envolvendo consumo de álcool ao volante foram registradas.
Operação Lei Seca completa 17 anos de atuação no Rio de Janeiro
Reprodução/TV Globo
Menos mortes e feridos
Os números apontam impacto direto da legislação na segurança viária. Na comparação entre 2008 e 2025, o Estado do Rio registrou queda superior a 21% na taxa de mortes no trânsito. Entre os feridos em acidentes, a redução foi de 38,6%.
A mudança também foi cultural. Ao longo dos últimos 18 anos, a combinação entre álcool e direção deixou de ser encarada por parte da população como uma infração tolerável e passou a ser amplamente condenada.
Levantamento citado no livro “Brasil no Espelho” mostra que 95% dos brasileiros consideram desonesto dirigir após consumir bebida alcoólica.
Alerta no pós-pandemia
Apesar dos avanços, os dados recentes mostram uma piora no comportamento dos motoristas fluminenses.
Em números absolutos, os casos passaram de 98.754 para 137.920, mesmo com a redução do número de motoristas abordados.
Depois dos percentuais elevados registrados em 2023 e 2024, ambos acima de 11%, houve queda para 8,66% em 2025. Os dados parciais de 2026, porém, apontam nova alta: até abril, 9,47% dos condutores fiscalizados apresentaram alcoolemia.
Segundo o deputado federal Hugo Leal, autor da Lei Seca, os números mostram que a legislação produziu uma mudança importante de comportamento, mas que os avanços precisam ser constantemente reforçados por meio de conscientização e fiscalização.
Os dados do Rio acompanham um cenário observado em todo o país. Segundo levantamento da Secretaria Nacional de Trânsito (Senatran), mais de 3,2 milhões de infrações relacionadas à Lei Seca foram registradas no Brasil entre junho de 2008 e maio de 2025.
Somente em 2025, foram contabilizadas 452.977 infrações. Em 2026, até abril, o país já somava 160.678 registros.
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