Nova reserva marinha de 3 mil hectares é criada entre Barra de Guaratiba e Recreio; o que muda

  • 18/10/2026
(Foto: Reprodução)
Ilhas das Palmas e das Peças ficam perto da costa, perto do Pontal, da Prainha e de Grumari Junior Alves/TV Globo O governo do estado do Rio de Janeiro criou a Reserva de Desenvolvimento Sustentável Marinha Urupirá, uma unidade de conservação com aproximadamente 3 mil hectares entre Barra de Guaratiba e o Recreio dos Bandeirantes, na Zona Sudoeste do Rio. O decreto foi publicado no Diário Oficial desta sexta-feira (16). A área fica entre a Ilhota do Frade, em Barra de Guaratiba, e a Pedra do Pontal, no Recreio dos Bandeirantes, e inclui ilhas, costões rochosos e áreas submersas. Nova reserva marinha de 3 mil hectares é criada entre Barra de Guaratiba e Recreio Arte g1 A unidade será administrada pelo Instituto Estadual do Ambiente (Inea) e tem como objetivo conciliar a preservação dos ecossistemas marinhos com a manutenção das atividades tradicionais das comunidades que utilizam a região, especialmente a pesca artesanal. Na prática, a criação da reserva estabelece diretrizes para a conservação ambiental e o uso dos recursos naturais. As regras específicas para cada trecho da área, no entanto, ainda serão definidas pelo plano de manejo. O g1 procurou o Inea para entender se há um cronograma a ser seguido e a partir de quando essas regras serão estabelecidas. Veja uma reportagem de 2024 que mostra as belezas da vida marinha em partes da região da nova reserva: Projeto Ilhas do Rio pesquisa a vida marinha das ilhas de Grumari O que muda com a criação da reserva? Pesca e uso dos recursos naturais O decreto prevê medidas para combater a pesca ilegal e outras infrações ambientais, além do monitoramento da atividade pesqueira e dos estoques de peixes. A unidade também deverá contribuir para a conservação e a recuperação dos estoques pesqueiros e proteger locais importantes para a alimentação, a reprodução, o crescimento e o abrigo de espécies marinhas. O texto não determina uma proibição geral da pesca artesanal. Pelo contrário, estabelece como um dos objetivos valorizar essa atividade e preservar os conhecimentos tradicionais das comunidades pesqueiras. O Inea, porém, poderá proibir práticas extrativistas e outras atividades consideradas incompatíveis com os objetivos da unidade de conservação. ✅ Siga o canal de notícias do g1 Rio no WhatsApp Pescadores poderão participar da gestão Pôr do sol por trás da Ilha das Peças, na Zona Oeste do Rio Junior Alves/TV Globo A reserva prevê a participação de pescadores artesanais e de outras populações tradicionais que utilizam historicamente os recursos naturais da região para seu sustento. O decreto estabelece que essas comunidades poderão ser cadastradas como beneficiárias da unidade. O reconhecimento deverá considerar, entre outros critérios, a relação histórica, cultural, social e econômica com a área marinha. A gestão será feita por um conselho deliberativo, presidido pelo Inea e formado por representantes de órgãos públicos, organizações da sociedade civil, populações tradicionais beneficiárias e outros usuários cadastrados. O objetivo é garantir que as comunidades participem das decisões sobre o planejamento e o uso do território. Turismo terá de seguir diretrizes de sustentabilidade Ilhas das Peças (à frente) e das Palmas, no litoral do Rio Junior Alves/TV Globo O decreto prevê a promoção da visitação por meio do ecoturismo, do turismo de base comunitária e de práticas esportivas alinhadas à conservação ambiental. As regras para o uso da área serão detalhadas no plano de manejo, que deverá estabelecer o zoneamento da reserva, incluindo áreas de proteção integral e de uso sustentável, além das normas para o manejo dos recursos naturais. O documento não apresenta uma lista definitiva de atividades turísticas proibidas ou permitidas. Onde fica a reserva marinha? A Reserva de Desenvolvimento Sustentável Marinha Urupirá abrange aproximadamente 3 mil hectares entre a Ilhota do Frade, em Barra de Guaratiba, e a Pedra do Pontal, no Recreio dos Bandeirantes. Além do espelho d'água, da coluna d'água e do assoalho marinho, os limites incluem a Ilhota do Frade, a Ilha Rasa de Guaratiba e os costões rochosos das ilhas de Peças e Palmas, até a cota de 25 metros. A unidade também tem como objetivo contribuir para a conexão ecológica com o chamado Hope Spot Ilhas Cagarras e Águas de Entorno, área reconhecida pela organização internacional de conservação marinha Mission Blue. O que ainda falta definir? Embora a reserva tenha sido criada pelo decreto, a organização do uso e da gestão da área ainda depende de instrumentos previstos no documento. O plano de manejo será responsável por definir o zoneamento, as regras para o uso dos recursos naturais e as áreas de proteção integral e de uso sustentável. O conselho deliberativo deverá ser instituído por portaria do órgão gestor. Até a elaboração do plano de manejo, a zona de amortecimento da unidade será definida provisoriamente por resolução do Inea. O decreto entrou em vigor na data de sua publicação, nesta sexta-feira (16). Veja um registro recente de uma baleia na região da Barra de Guaratiba: Baleia ‘se exibe’ para pescadores em Barra de Guaratiba

FONTE: https://g1.globo.com/rj/rio-de-janeiro/noticia/2026/10/18/nova-reserva-marinha-de-3-mil-hectares-e-criada-entre-barra-de-guaratiba-e-recreio-o-que-muda.ghtml


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